TDAH em adultos: principais sinais e quando procurar avaliação

Atualizado: 7 de out.
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é frequentemente associado à infância, mas pode persistir na vida adulta. Em algumas pessoas, inclusive, as dificuldades relacionadas ao transtorno tornam-se mais evidentes quando aumentam as responsabilidades profissionais, acadêmicas, familiares e pessoais.
Ter momentos de distração, esquecer compromissos ou apresentar dificuldade para se concentrar não significa, por si só, ter TDAH. Esses sintomas podem ocorrer em diferentes situações e também estar relacionados a outros fatores. O diagnóstico exige uma avaliação adequada.

Como o TDAH pode aparecer na vida adulta?
Na vida adulta, os sinais nem sempre são iguais aos mais conhecidos na infância. A hiperatividade, por exemplo, pode se manifestar menos como movimentação física intensa e mais como inquietação, dificuldade para desacelerar ou sensação constante de estar fazendo várias coisas ao mesmo tempo.
Entre as dificuldades que podem estar presentes estão: dificuldade persistente para manter a atenção; facilidade para se distrair; esquecimentos frequentes; dificuldade para organizar tarefas e compromissos; tendência a iniciar atividades e não concluí-las; procrastinação; dificuldade para administrar o tempo; impulsividade; inquietação; e dificuldade para acompanhar tarefas longas ou pouco estimulantes.
A intensidade e a combinação dessas características variam de uma pessoa para outra.
Nem toda dificuldade de atenção é TDAH
Problemas de concentração podem aparecer em períodos de estresse, privação de sono, ansiedade, depressão, sobrecarga de trabalho e diversas outras condições.
Por isso, reconhecer alguns sintomas em uma lista ou em conteúdos disponíveis na internet não é suficiente para estabelecer o diagnóstico.
No TDAH, é importante avaliar a persistência dos sintomas, sua presença ao longo da vida e o impacto que provocam em diferentes áreas do funcionamento da pessoa.
Quando procurar uma avaliação?
Uma avaliação pode ser considerada quando as dificuldades de atenção, organização, impulsividade ou inquietação são persistentes e começam a interferir de maneira significativa na rotina.
Isso pode aparecer, por exemplo, como dificuldade recorrente para cumprir prazos, organizar atividades, manter o desempenho profissional ou acadêmico, administrar compromissos ou lidar com tarefas cotidianas.
A avaliação também ajuda a investigar outras possíveis causas para esses sintomas.
Como é feita a avaliação?
Não existe um único exame capaz de confirmar isoladamente o diagnóstico de TDAH.
A avaliação envolve a história clínica, os sintomas atuais, o funcionamento em diferentes áreas da vida e informações sobre a presença dessas características desde períodos anteriores do desenvolvimento.
Questionários e outros instrumentos podem auxiliar nesse processo, mas devem ser interpretados dentro de uma avaliação clínica mais ampla.
Existe tratamento?
Sim. Quando o diagnóstico é estabelecido, o tratamento deve ser individualizado de acordo com as necessidades de cada pessoa.
Ele pode envolver orientação sobre o transtorno, estratégias de organização e planejamento, intervenções psicoterápicas e, quando indicado, tratamento medicamentoso.
O objetivo não é simplesmente melhorar a concentração, mas reduzir os prejuízos relacionados aos sintomas e favorecer um melhor funcionamento na vida cotidiana.
Informação é o primeiro passo
Conhecer as características do TDAH pode ajudar uma pessoa a perceber dificuldades que vêm acompanhando sua trajetória há muitos anos. Ao mesmo tempo, é importante evitar o autodiagnóstico.
Quando os sintomas são persistentes e interferem na rotina, buscar uma avaliação profissional permite compreender melhor suas possíveis causas e definir, quando necessário, uma abordagem adequada.
Dr. Lázaro Estrada CRM-SP 205782




